Por que não comemorar o Dia Internacional da Mulher

Ora, a que ponto chega o mundo. Se pensar não há muitos motivos para comemorar o Dia Internacional da Mulher. É difícil entender que só após morrerem carbonizadas dentro de uma fábrica cerca de 130 mulheres, no fim do século XIX, apenas porque participavam de uma greve reivindicando melhores condições de trabalho, é que passou-se a pensar na importância da mulher (um ser humano). É mais difícil ainda dissertar sobre algo que virou moda em todo o mundo e que por inteligência de uns se tornou um propício momento para aumentar a lucratividade das empresas, comércios e indústrias.

É comum, na semana que antecede o dia 8 de março, ver as vitrines de lojas preparadas com roupas ‘chiques’ e looks de causar inveja em muita gente, comum também é admirar as vitrines das lojas de cosméticos que não poupam esforços para chamar a atenção das fanáticas pela beleza exterior, é comum os grandes magazines de compras colocarem em promoção itens que nenhuma mulher fica sem, a exemplo das chapinhas, depiladores elétricos, secadores de cabelo.

O que não é comum é a dedicação deste mesmo respeito às mulheres durante os demais 364 dias do ano. A começar pelo respeito próprio, que muitas mulheres ainda precisam conquistar. O que se vê é uma sociedade preconceituosa, que ainda trata suas mulheres como “cachorras”, como meros objetos de prazer. Uma sociedade que pluralizou o jeito de ser mulher.

A mulher ainda precisa mostrar que é muito mais do que um simples fruto tirado da costela de um homem. Ela precisa porque na maioria das vezes ilustra as páginas policiais dos jornais mundo a fora, seja por casos de violência sexual, verbal, física. Ela precisa se afirmar como mulher para ter direito de receber salários iguais ou melhores do que os dos homens (quando na verdade fazem trabalho igual ou até mesmo maior que de um homem), a mulher precisa se firmar como o sexo forte a todo momento porque um dia alguém disse que ela pertence a classe do ‘sexo frágil’.

A mulher, que é mãe, esposa, dona de casa, artista, vendedora, professora, jornalista, médica, enfermeira, boia fria, gari, dentre outras ainda não conseguiu se firmar perante a sociedade porque a hipocrisia humana ainda impõe barreiras invisíveis aos olhos de muitos. A mulher que é homenageada no dia 8 de março precisa ser homenageada durante todos os dias do ano. Precisa de carinho, atenção, respeito, dignidade, dedicação, honestidade, franqueza. A mulher precisa ter força e garra sempre, pois mesmo tendo conquistado tanto espaço ainda falta muito para que seu verdadeiro espaço seja realmente ocupado, e não apenas conquistado.

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About Só para Raros!

Comunicóloga graduada pela PUC Minas, Jornalista e blogueira.

Posted on 8 de Março de 2013, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. Júlia Maria Amorim de Freitas

    Muito bem, Cristiana! Sinto-me parte deste texto, sinto-me um pedaço da sua escrita, sinto-me mulher! Obrigada, querida pelo toque na ferida, a indignação frente ao mundo e por você ser CRISTIANA! Abraços

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