São João e o Mensalão

Durante o Carnaval de 2014 reinou solta a alegria e os blocos caricatos marcaram presenças em várias ruas do país. Mas a festa mais popular do Brasil agora dá lugar à realidade. É chegada a hora de despir-se da fantasia e tirar o bloco das ruas, voltar à rotina.

E eis uma dose de realidade, regada pela zombaria de dois novos personagens do Carnaval contemporâneo, que fizeram entrar para a história as festividades de 2014. A alegoria mais bizarra dos últimos carnavais foi arquitetada de última hora, durante julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) na última quinta-feira, 27, e é responsável pelo primeiro bloco carnavalesco da Papuda.

O ‘Bloco dos Mensaleiros’ foi embalado pela tradicional marchinha carnavalesca ‘Máscara Negra’, de Zé Keti. Os mensaleiros riam à toa, alegres como nunca se viu, enquanto os “mais de mil palhaços no salão” festejavam o Carnaval. Os risos foram justificados pela absolvição do crime de formação de quadrilha, dada a eles por seis dos 11 ministros do STF

São João (Batista), primo de Jesus Nazareno, considerado o justo e que é homenageado durante o mês de junho em todo o Brasil, ficou desolado, desapontado com a arbitrária decisão do STF. Por culpa dos ministros Teori Zavascki e Luís Barroso, que assumiram os cargos após a aposentadoria dos ministros Cezar Peluso e Ayres Brito, por indicação da presidente Dilma Rousseff, as tradicionais “quadrilhas” juninas serão extintas, ameaçando a festa de São João.

O Bloco dos Mensaleiros roubou a cena no Brasil carnavalesco, e ainda vai dividir atenções com a realização da Copa do Mundo, em junho. E os risos e a alegria prometem embalar o bloco além Carnaval. Em agosto e setembro deste ano, a alegoria volta às ruas, aos salões dos partidos e do Congresso para desfilar suntuosamente a “cara de pau” e a prepotência sob o enredo – “A injustiça é soberana no Brasil: viva o “voto político” dos ministros Zavascki e Barroso, salve a presidente Dilma”!

Enquanto isso, São João busca adaptar-se a uma nova realidade, onde a tendência e a moda injusta banem do cenário a “formação de quadrilha” e abrem as grades para os carnavalescos de plantão, que estão rindo à toa, arquitetando as próximas investidas. 

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Por que não comemorar o Dia Internacional da Mulher

Ora, a que ponto chega o mundo. Se pensar não há muitos motivos para comemorar o Dia Internacional da Mulher. É difícil entender que só após morrerem carbonizadas dentro de uma fábrica cerca de 130 mulheres, no fim do século XIX, apenas porque participavam de uma greve reivindicando melhores condições de trabalho, é que passou-se a pensar na importância da mulher (um ser humano). É mais difícil ainda dissertar sobre algo que virou moda em todo o mundo e que por inteligência de uns se tornou um propício momento para aumentar a lucratividade das empresas, comércios e indústrias.

É comum, na semana que antecede o dia 8 de março, ver as vitrines de lojas preparadas com roupas ‘chiques’ e looks de causar inveja em muita gente, comum também é admirar as vitrines das lojas de cosméticos que não poupam esforços para chamar a atenção das fanáticas pela beleza exterior, é comum os grandes magazines de compras colocarem em promoção itens que nenhuma mulher fica sem, a exemplo das chapinhas, depiladores elétricos, secadores de cabelo.

O que não é comum é a dedicação deste mesmo respeito às mulheres durante os demais 364 dias do ano. A começar pelo respeito próprio, que muitas mulheres ainda precisam conquistar. O que se vê é uma sociedade preconceituosa, que ainda trata suas mulheres como “cachorras”, como meros objetos de prazer. Uma sociedade que pluralizou o jeito de ser mulher.

A mulher ainda precisa mostrar que é muito mais do que um simples fruto tirado da costela de um homem. Ela precisa porque na maioria das vezes ilustra as páginas policiais dos jornais mundo a fora, seja por casos de violência sexual, verbal, física. Ela precisa se afirmar como mulher para ter direito de receber salários iguais ou melhores do que os dos homens (quando na verdade fazem trabalho igual ou até mesmo maior que de um homem), a mulher precisa se firmar como o sexo forte a todo momento porque um dia alguém disse que ela pertence a classe do ‘sexo frágil’.

A mulher, que é mãe, esposa, dona de casa, artista, vendedora, professora, jornalista, médica, enfermeira, boia fria, gari, dentre outras ainda não conseguiu se firmar perante a sociedade porque a hipocrisia humana ainda impõe barreiras invisíveis aos olhos de muitos. A mulher que é homenageada no dia 8 de março precisa ser homenageada durante todos os dias do ano. Precisa de carinho, atenção, respeito, dignidade, dedicação, honestidade, franqueza. A mulher precisa ter força e garra sempre, pois mesmo tendo conquistado tanto espaço ainda falta muito para que seu verdadeiro espaço seja realmente ocupado, e não apenas conquistado.

Eleições em Arcos (baseadas em fatos reais)

Arcos, cidade localizada no Centro-Oeste de Minas Gerais e formada por 36.582 habitantes, segundo dados do IBGE em 2010, elegeu ontem 13 vereadores e um candidato a prefeito e a vice-prefeito, cassados, para assumirem Câmara e Prefeitura na gestão 2013/2016. O número de eleitores no município atingiu 29.081 nestas eleições. Foram apurados 25.548 votos; destes, 23.861 válidos, 624 brancos, 1.063 nulos, e 3.533 abstenções.

Mas estas eleições marcaram a história de Arcos. Nunca, nenhum candidato a prefeito e a vice-prefeito tiveram os registros de candidatura cassados no município. Nunca houve na história da cidade um resultado de eleições que ficasse ‘sub júdice’, ou seja, sob análise da Justiça Eleitoral até que o Tribunal decida sobre a manutenção ou não da cassação, dada em primeira instância. Também, dizendo talvez, pois durante todo o tempo que acompanho a política em Arcos nunca havia me deparado com um número tão alto de candidatos a vereadores quanto neste pleito, 181 (salvo os que renunciaram e os que tiveram o registro cassado pela Justiça).

Fatos ocorridos durante os três meses de campanha são novos indicadores da política local e da maneira de fazer política na cidade. Grupos políticos se desmancharam, ditadores estão penando no ‘mar das injustiças’, falta de apoio político e financeiro, persistência e desequilíbrio, fofocas e intrigas, bombas que mais pareciam traques, e vários outros fatores e realidades que seguem abaixo:

Claudenir Melo – tensão;

Lécio Rodrigues – o campeão derrocado;

Júlio Ribeiro de Oliveira – candidato revelação;

Dr. Roberto Alves – exemplo de caráter, força de vontade e persistência;

Fernando Faria – a raposa perdeu a política pela primeira vez;

Grupos políticos – virou lenda;

Apoio político e dinheiro – balela destituída;

Eleitores do 22 – fanáticos;

Eleitores do 11 – crentes na vitória;

Eleitores do 70 – insanos;

Eleitores do 65 – loucos pela mudança de verdade;

Três vereadores reeleitos – milagre;

Demais vereadores – esperança de renovação (até que as onças apareçam para beber água);

Abstenções – eleitores desacreditados;

Nulos e Brancos – não estou nem aí;

Juiz eleitoral – corajoso;

Promotora eleitoral – corajosa;

Número de jovens envolvidos com as campanhas – maioria esmagadora (mesmo que alguns ainda decepcionem pela coragem de apoiar certos candidatos);

Promessas de campanha – cerca de 50% executáveis (exagero?);

Volume carros de som – muito alto;

Sujeira pelas ruas no dia da votação – relaxa! Os garis limpam;

Poluição visual – suportável;

Eleições 2012 em Arcos- história a contar para filhos, netos, bisnetos, sobrinhos e para o mundo todo.