Compradores de Silêncio!

Política, para a maioria dos brasileiros uma palavra abominável, associada a corrupção, mentira e problemas sociais. Muitos enchem o peito para dizer que odeiam política e tudo que puder ter relação com ela. Será por isso que nossa política parece estar tão arruinada? Será a falta de interesse do povo, pelo modo como seu Estado é guiado, que permite que os políticos façam o que bem entendem?

Assim, cria-se um círculo vicioso: uma política desonesta e sem resultados torna descrente e alienados os cidadãos, o que cria um terreno propício para uma política desonesta e sem resultados.

O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau diz logo no prefácio de seu livro “O Contrato Social” o seguinte: “…[Poderiam perguntar-me se sou príncipe ou legislador… respondo que não e é por isso que escrevo sobre a política. Se eu fosse príncipe ou legislador, não perderia meu tempo em dizer o que é preciso fazer. Eu o faria ou me calaria.]…”.

É isso que todos deveriam fazer. Falar, discutir, gritar, lutar pelo melhor. Fazer tudo isso justamente por não ser um representante, mas por ser o principal beneficiado ou prejudicado pelas decisões políticas.

O problema maior não é o legislador se calar. Isso se torna uma opção. O problema é como eliminá-lo do cenário político. Mas para isso se tem a melhor e maior arma, ou pelo menos deveria ser, que é o voto. Mas eis outro problema que surge quando os políticos querem calar a população. Então este é o problema.

Cada um faz o que bem entende. Se alguém quer se calar perante uma situação é uma questão a ser discutida entre o indivíduo e sua consciência. Por outro lado, usar de dinheiro, prestígio, chantagem e ameaças para calar alguém é como assinar um atestado de incompetência. Não incompetência para ser político apenas, mas para ser gente. O indivíduo que necessita usar tais meios para conseguir calar outro não devia merecer o título de ser humano. Com tais atos, esse indivíduo simplesmente coloca sua inteligência abaixo do dinheiro. Abaixo de um monte de papel que qualquer fogo queima.

O mundo, infelizmente, permite que os “compradores de silêncio” se dêem bem. Mas uma hora esse silêncio vem por terra. Pode-se facilmente calar uma voz, mas nunca um pensamento. Mesmo com a morte, o pensamento não se cala. Ele é sem tempo.

Segundo o escritor francês, Victor Hugo: “..[Não há força capaz de destruir uma idéia quando chega seu tempo]…”. Assim, podem calar milhares de vozes quantas vezes quiserem, mas a idéia nunca calará. E assim se forma a dinâmica democrática pessoal em que quanto mais a voz é calada, mais forte a idéia grita.

Chegará o dia em que não adiantará querer esconder os fatos. O povo não se calará.  O dinheiro não será capaz de conter a idéia. A idéia de mudança, de atitude. A idéia de que é sim possível viver num mundo melhor. Até lá é bom que os “compradores de silêncio” se divirtam e quem sabe eles não criem coragem de olhar nos olhos dos filhos e dizer: “papai é um covarde, não consegue agir corretamente e tem que pagar para não ser denunciado…”. Assim talvez eles consigam manter essa oligarquia hereditária e incompetente.

About Só para Raros!

Comunicóloga graduada pela PUC Minas, Jornalista e blogueira.

Posted on 16 de Julho de 2011, in Uncategorized and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. 4 comentários.

  1. Excelente texto, enriquecido com citações autores mundialmente famosos. No entanto, as vilanias dos políticos que redundam na compra do silêncio ocorrem desde quando o Brasil é uma república. Elas são transmitidas de pai para filho, para não perderem o vìnculo com as benesses oriundas das vilanias e torpezas que o nosso país permite aos políticos.
    Observem as famílias de políticos que vêem se mantendo poderosas, em todos os sentidos, de geração em geração. Elas se firmam por bem ou por mal. Vou citar apenas duas: Sarnei e Magalhães. Não é fácil encontrar um filho de político, que foi amadurecido no meio, que seja totalmente probo. Sendo assim, não fácil mudar esse degradante estado de coisas, porque é problema de cúpula. A pressão vem de cima, achatando tudo o que de decente poderia estar por baixo.
    Observem também um membro do Legislativo que queira ser decente. Mesmo com todo esforço do mundo ele não vai conseguir, uma vez que será boicotado, chantageado, sabotado, abandonado e mais um punhado de “ados” que houver por aí. De vez em quando aparece um ou outro com ótimas intenções, mas logo toma rumo ignorado.
    Portanto, vai ser muito difícil mudar o “esquema” político no nosso país. Os próprios políticos não deixam, uma vez que vão continuar usando todas as artimanhas legais, ilegais e imorais que foram sabiamente mencionadas no texto comentado.

  2. Mudar o “esquema” político é realmente complicado e às vezes até mesmo fantasioso. Mas precisamos considerar a possibilidade de um movimento estar podendo ser articulado por você, por mim, por nós. Não podemos nos vender, nos deixar ser manipulados e sim desempenharmos um papel social construtivo, dinâmico, sem preconceitos, procurando através de forças coletivas mudar as identidades que patentiaram nosso país, nosso Estado, nossos municipios e renova-las com outras mais conscientes do dever social de um político. O rompimento, as cisões, podem acontecer. Depende da nossa mobilização e disposição para que novas possibilidades surjam e nosso silêncio não seja comprado. A pior atitude de um ser humano é a omissão.

  3. Maurício Gabriel Lima Júnior

    É inquestionável que o poder deriva do povo em um estado democrático de direito. O sistema representativo que conhecemos talvez seja o melhor modelo pensado nos últimos tempos, capaz de aproximar a sociedade do ente tão complexo que ora é usado para garantir a supremacia do interesse público, ora é visto como uma forma de desvios e lamentáveis, como ações que demonstram a impessoalidade do administrador.
    Devemos pensar que nunca haverá submissão se não existirem instrumentos suficientes para garanti-la, isto é, o estado necessita de legitimidade e reconhecimento para atingir suas finalidades, caso contrário, não haveria sentido em obedecermos normas rígidas que maculam o interesse comum.
    O maior de todos os empecilhos que a política nacional enfrenta, em minha leiga visão, é a apatia popular, exatamente o silêncio abordado com propriedade pela autora. Não o silêncio comprado ou obtido por meio coativo, pois os indivíduos aí envolvidos já demonstram uma insuficiência de consciência cívica, nada acrescentando para a grande maioria. Devem ser questionados e seriamente criticados aqueles que buscam um ideal virtuoso, mas são incapazes de enxergar a vida pública como algo essencial, desinteressando-se não somente pelo período eleitoral, mas também, pelos atos de fiscalização dos governantes.
    De nada adianta coletarmos o papel que polui o meio ambiente se em seguida, dermos as costas para aquele que joga dez outros no chão. Por mais que pensemos que nossa contribuição foi dada, o ambiente não estará limpo.
    Não basta termos a atitude correta, é preciso cobrar do outro que se porte da mesma maneira, pois só assim conseguiremos resultados expressivos.
    Mas como incutir consciência política em quem jamais se interessou por ela? Acredito que meros programas não sejam capazes de mudar a triste situação em que nos encontramos. Somente o fortalecimento da educação básica é a saída para que as novas gerações possam se envergonhar de uma população que tanto lutou pela democracia e anos depois, transformou a tinta dos caras pintadas em um festival circense.

  4. Em um País em que o governante sai com uma popularidade altíssima e consegue eleger uma Presidenta com seu prestígio,deveria ser também um país sem fome,com rodovias seguras,não este, com tão alta criminalidade;não vejo um dia em que, não se fale nos jornais sobre inocentes mortos, por nada…..droga…drogas…isto acaba com varias familias o que ele fez,popular deveria ser quem fizesse algo.

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