Crenças e (dez)crenças!

A vida é uma espera. Na essência da vida está inclusa a esperança. Esperança de tudo. Esperança que chova, que faça sol, que o salário aumente, que o time vença, que o perdão seja dado, que o beijo seja roubado, que a fome seja saciada, que o descanso chegue logo.

Não existe um viver plenamente sem esperança. O que move o ser humano é acordar cedo e ter a expectativa de que o dia seja bom. É se ver diante de um problema e ter fé que Deus vai cuidar daquilo mais cedo ou mais tarde. É estar doente e esperar suportar a dor até ser atendido.

Do mais jovem ao mais idoso, todos esperam. A criança espera que a mãe lhe sacie a fome. A mãe espera a hora que o filho vai dizer mamãe. A avó espera uma boa velhice para ter o prazer de ver os netos crescerem.

E de repente, o que se vê, o que nos mostram, mesmo contra nossa vontade, é o assassinato a sangue frio da capacidade do ser humano de ter fé em algo. A capacidade de ainda acreditar, de ainda esperar.

Nós, como bons viventes de uma hierarquia, confiamos aos nossos “representantes” as nossas vidas. Confiamos a eles nosso sim ou não, a nossa decisão de querer ou não. Entregamos a eles ao apertar o botão verde toda nossa vida.  E o que ganhamos em troca é quase um tapa na cara. E o que era confiança vai aos poucos se tornando desconfiança, pé atrás.

Depois de nos tirarem o pleno direito à saúde, à alimentação, o direito de ir e vir, de viver, de sobreviver, ainda terminam por tirar nossa esperança. Simplesmente tiram, arrancam a nossa essência. Só nos resta acreditar em Deus. E os homens pegam Deus e fazem Dele um comércio, um meio de vida (e de morte). Usam inescrupulosamente a fé do outro para ganhar alguma coisa. E de tanto ser usado, o indivíduo já não consegue mais acreditar em nada.

Ao passar por tanta coisa errada ele desiste. E desistência não combina com fé. Estão em margens opostas. E como viver se já se desistiu de viver? Nem sempre nos matam tirando nossas vidas. Nos matam aos poucos, roubando as poucas coisas preciosas que temos. Porém por mais que nos roubem a capacidade de acreditar em tudo que nos cerca, ainda teremos a fé em nós mesmos. A fé no nosso amor, a fé na nossa capacidade de mudar o meio em que vivemos, por mais que ela seja ínfima diante do Mundo.

Ainda temos a esperança (e certeza) de que amanhã o sol volta, que por mais que seja fria a madrugada, o calor vai voltar para nos reanimar. A fé de que nossos sonhos ainda podem se realizar independente da vontade alheia. A certeza de que tudo o que queremos ser, acreditando, nós seremos.

Assim a gente espera por toda a vida. Esperamos e somos todos os dias desesperançados. Mas ao nascer do sol, a certeza de que podemos e seremos tudo que sonhamos nos diz para não ouvir quem nos faz mal, quem nos mata. A certeza nos diz para ouvirmos quem nos ama, quem nos aquece, e não quem nos esquece.

About Só para Raros!

Comunicóloga graduada pela PUC Minas, Jornalista e blogueira.

Posted on 16 de Julho de 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero.

    Henry Thoreau

  2. Robson de Morais

    Parabens pelo blog!!
    Visite o meu e deixe sua mensagem.
    Um abraço de mineiro para mineira..

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