Meu nome é Brasil!

Como não falar sobre o caos instaurado no Rio de Janeiro na semana que termina. Dois grandes aglomerados de favelas, quase uma cidade plantada dentro de outra, plantada e esquecida. Um povo tomado pelo medo, pelo constrangimento, pela angústia de não saber como estará tudo na manhã seguinte, no minuto seguinte.

Os acontecimentos da semana não refletem um problema novo, uma simples perda de controle da segurança por parte da polícia que foi retomá-lo. Eles mostram, por décadas, o que o descaso com a população fez acontecer. Mostram que a desorganização do Estado propiciou a organização do crime.

A imprensa que deveria ser parceira da população, muitas vezes, usa seu sensacionalismo barato para mostrar apenas o que lhe interessa e possa lhe dar retorno, propiciando uma imagem deturpada da realidade. Ela relata sempre que morreram vários, vítimas de bala perdida. Ora, onde já se viu uma bala perdida acertar alguém. Ela era perdida, mas foi achada e em sua maioria por inocentes.

Como diz na música “A violência travestida faz seu trottoir”dos Engenheiros do Hawaii “Uma bala perdida encontra alguém perdido. Encontra abrigo num corpo que passa por ali. Estraga tudo. Enterra tudo. Pá de cal. Enterra todos na vala comum de um discurso liberal.” Já o risco de vida ninguém corre. O maior risco em meio a um caos é o de morte.

Aí vem a questão do direito. Esse devia começar onde termina o do outro, mas a intolerância e o egoísmo humano é algo que impressiona. O diferente sempre incomoda, sempre gera grandes catástrofes, haja vista tantas guerras pelo Mundo. “Direitos humanos” é algo polêmico, pois prega o tratamento digno e humanizado ao bandido. O bandido que só sabe ser desumano é amplo e ironicamente protegido pelos “direitos humanos”.

Várias organizações nacionais e internacionais colocam como primordial o respeito aos “direitos humanos”, para que todos tenham direitos iguais. A Anistia Internacional pediu tratamento legal para com os bandidos no Brasil. Seria então, dar de presente aos bandidos um Código Penal com uma bomba dentro para assim as ações estarem literalmente “dentro da legalidade” como pedem? Mas como tratar igual pessoas desiguais? Só se alcança a igualdade tratando desigualmente os desiguais, na medida de suas desigualdades.

Os bandidos sobem e descem o morro armados “até os dentes”, levando com eles dinheiro e uma covardia travestida de valentia, que salta aos olhos dos jovens, como uma oportunidade fácil de subir na vida. Eles são o retrato de um país sem educação, sem saúde, sem segurança, sem estrutura. Que se mascara com vultuosas promessas de campanha que nunca se cumprem.

Assim como não se cumpriram nos últimos oito anos. Anos de atraso e de retrocesso no combate a violência. Se a solução é ocupar território por que não foi feito antes? Será que instalar as Unidades de Polícia Pacificadora, mas não oferecer dignidade, educação, emprego, condições dignas de vida resolve? Seriam as UPP’s uma demagogia?

Ocupação de território, expressão que gera espanto, terror. Mas que território é esse que precise ser ocupado sendo que o Governo nunca se preocupou com ele? O governo diz com orgulho que o morro foi tomado. E assim se mostra como o grande salvador. Como se ele não tivesse culpa da situação ter chegado a este ponto.

Não se deve usar só a força. É necessário inteligência. É preciso dar ao povo segurança e certeza de que tudo vai melhorar. Mostrar que o crime não compensa. Mostrar para todos que os bandidos serão severamente punidos. Que o fim de um criminoso, quando quem deve nos proteger realmente o faz, é a sela ou a cova. E a solução é mostrar aos aspirantes a bandido a dura realidade, de julgamentos sérios, de condenações pesadas. É preciso também realizar uma política de melhoria no sistema penitenciário.

Propiciar políticas de uso e trabalho de mentes ociosas, e muito trabalhosas, para que seja utilizada tamanha inteligência para o bem. Tratando assim os condenados, são aplicados os “direitos humanos” de acordo com seu grau de humanismo.

Pensar na sociedade que compõe complexos e morros de todo o Brasil é tarefa de todo governante. O modo como as pessoas reagem à falta de oportunidades e perante a necessidade faz com que surjam vários brasileiros. O que assusta é como a diversidade brasileira se reflete na vida. Há pessoas e pessoas, bandidos e bandidos, políticos e políticos.

Há também Brasil e Brasil. E precisamos preocupar com o Brasil das novas gerações, dos novos políticos, dos novos policiais, dos novos bandidos, dos novos confrontos que tomam toda a programação da TV e dos que acontecem escondidos sem ninguém noticiar!

About Só para Raros!

Comunicóloga graduada pela PUC Minas, Jornalista e blogueira.

Posted on 16 de Julho de 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. Em minha humilde opinião, o problema da violência não está nos morros. As favelas apenas se tornam palco de uma batalha que tem início nos gabinetes dos políticos. Aqueles que são responsáveis diretos pela elaboração das leis e também são os primeiros a descumprí-las.

  2. Ótimo artigo. Pertinente, eloqüente e ousado. Realmente a situação do país, no que tange a sistema de vida e a normas de conduta das pessoas, é bastante complicada.
    A bem da verdade, os grandes culpados são os políticos mesmo, cujas atuações deixaram tudo a desejar ao longo deste período republicano. Seus interesses particulares nunca lhes deixaram pensar efetivamente no povo, que, para eles, é apenas um detalhe. Além de não fabricarem leis decentes, consoante suas obrigações, ainda não cumprem as capengas existentes. Eles são os primeiros a burlar as leis. Portanto, a situação atual não podia ser diferente, uma vez que nossos brilhantes políticos negligenciaram bastante para isso.

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