O oba oba do Obama!

A visita do presidente norte americano, Barack Obama, ao Brasil parece ter sido o evento do mês, quiçá do ano. Sites de notícias só falavam disso. O presidente não respirava sem o fato ser noticiado. Gente querendo vê-lo, querendo cumprimentá-lo, chorando de emoção por ter ganhado um bye bye! Uma quantidade absurda de seguranças e um pouco de briga para saber qual time de futebol o presentearia primeiro com uma camisa. Em resumo, foi assim a visita do presidente.

Mas onde estava o resto do Mundo enquanto o país tropical que Deus abençoou, segundo dizem, recebia a ilustre visita? A radiação na usina nuclear japonesa foi suspensa? Os tiros e mísseis líbios pararam para assistir ao desembarque do presidente e seu discurso? As inundações no sul do país desinundaram para não molhar o visitante? Parece que não. A radiação continuava lá, os tiros e mísseis ainda matavam na Líbia e os sulistas continuavam debaixo d’água.

E essa ampla cobertura de fatos não tão amplos assim é culpa de quem? Da mídia, que cobre de tal maneira, por razões próprias, e assim a população acaba se acostumando com esse alarde todo em cima de tão pouca coisa e tão pouco espaço para outras tantas coisas, ou das pessoas, que gostam é de alarde e supervalorização de coisas não tão importantes e a mídia apenas faz essa vontade? Independentemente de quem é a culpa, muita coisa fica jogada de lado, escrita com letras pequenas, bem no canto da página.

Que uma visita dessa natureza é importante não há como negar. E também não há como negar que muita pompa é completamente desnecessária. Não seria melhor ensinar às crianças a cantar o hino nacional e a importância do voto consciente antes de dar bandeirinhas norte americanas para elas balançarem? Não seria melhor dar mais espaço para a situação na Líbia do que para o oba oba do Obama? Receber bem um convidado, na sala de estar é educação, mas esquecer os outros cômodos da casa é descaso.

E então o avião presidencial partiu. Partiu para fazer outra nação esquecer dos problemas por uns dias, balançar bandeirinhas estrangeiras e pronunciar algumas palavras em outra língua. E eis que o Brasil volta ao normal! Volta às suas coberturas de (un)reality show, suas longas tardes de fofoca e paparazzi, suas pseudo-notícias, seus alagamentos e secas, suas fichas limpas se sujando novamente e tudo mais, que, se bem analisado, mostra que a visita de um chefe de estado não muda nada na rotina brasileira.

About Só para Raros!

Comunicóloga graduada pela PUC Minas, Jornalista e blogueira.

Posted on 16 de Julho de 2011, in Uncategorized and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. Será que em outros países, particularmente nos mais cultos, há esse endeusamento e esse frenesi quando se recebe a visita de um chefe de Estado de outra nação? Imagino que não, pois os povos mais cultos devem saber estabelecer prioridades.
    É claro que o Obama é gente de muito boa cepa e importante por demais, mas não se justifica esquecer o resto do mundo e varrer a nossa sujeira para debaixo do tapete, enquanto se anfitriona o visitante ilustre. Depois de passada a euforia, levanta-se o tapete e a imundície aparece.
    O Obama é muito importante, sim, mas não é Deus. Agora, em se tratando de um povo que endeusa até participante devasso de reality show tipo BBB, endeusar uma pessoa do calibre do Barack Obama passa a ser um dever sagrado.

  2. Esqueci de dizer no comentário anterior, parabéns pelo texto. Muito bom e oportuno!

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