(Pré)conceito!

Essa semana nos deparamos com algo que deixou muita gente revoltada. Uma estudante de direto de uma universidade privada em São Paulo , por meio de seu facebook e twitter, fez declarações inconcebíveis referindo-se aos nordestinos. Declarações que instigavam o ódio e a violência contra eles e que os colocavam como uma classe inferior às outras.

A Alemanha anti-semita parece não ter passado. E nós fingimos que passou. Em pleno século XXI uma pessoa da classe média, que tem tantas condições de adquirir cultura e conhecimento, uma estudante de direito, uma menina, que com certeza nunca teve que trabalhar debaixo de sol quente para comprar comida, mostra para todo o Mundo sua mesquinhez, sua arrogância, sua ignorância e seu repudiável preconceito.

Segundo ela, o Brasil afunda por dar direito de votar aos nordestinos, que são sustentados pelo resto do Brasil e pelo governo. Será que ela não pensou que ela contribui muito mais para afundar o Brasil ao usar suas roupas de marca, seus perfumes importados, freqüentar suas boates elitizadas? Será que ela não percebe que quanto mais ela, e grande parte da elite, alimenta o capitalismo mais a desigualdade aumenta, mais a distribuição de renda fica desigual e mais as classes baixas sofrem? Com certeza não.

A hipocrisia está dentro dos lares. As pessoas repudiam o nazismo, a guerra santa, o apartheid, o comunismo chinês e cubano, mas são xenófobas o tempo todo. Matam mendigos, homossexuais, torcedores adversários e prostitutas. E os autores de tais crimes são muitas das vezes ricos, que estudaram nas melhores escolas, freqüentam os mais requintados lugares. São a elite. A elite que comanda o país.

O (pré)conceito só se torna grandioso quando divulgado. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, porém ninguém tem direito de fazer desse não gostar uma forma de repúdio a classes menos favorecidas. A questão é complexa, pois pessoas de pensamentos extremados já propiciaram ao mundo cenas de tremenda violência, de completa ignorância. Cenas que deviam ser banidas da memória do ser humano. Mas esse mesmo ser humano se torna ainda mais arrogante, ainda mais pretensioso a ponto de imaginar que somente sua idéia, seu achismo é o que realmente vale.

Esse (pré)conceito não devia existir. A normalidade é confortante para muitos. Tudo que vai além disso se torna chato. Pensar é chato, acreditar em um futuro melhor é chato. A chatice vem impregnada de conceitos (pré)moldados por mentes acostumadas com um mundo normal. O paradoxo, muitas vezes, é existente. Mas devemos sair desse paradoxo, nos jogar em reflexões mais amplas. Devemos pensar melhor no mundo que queremos deixar para nossos descendentes.

Não podemos permitir que agressões verbais, físicas e psicológicas continuem acontecendo em virtude de uma idéia fundamentada em princípios individuais. Opiniões precisam ser dadas, mas devem ser pensadas, fundamentadas para que não nos tornemos ainda mais pequenos dos que os que não tiveram oportunidades de ser grandes como pensamos ser.

About Só para Raros!

Comunicóloga graduada pela PUC Minas, Jornalista e blogueira.

Posted on 16 de Julho de 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 9 comentários.

  1. Assino em baixo! Disse tudo Cris. Parabéns pelo blog!

  2. Falando em termos de Brasil, o hábito do preconceito não é uma boa pedida. Aliás, é um péssimo hábito, abominável em todos os sentidos, não importando quem seja o alvo dele. Contra os nossos irmãos nordestinos, aí, então é que é execrável pra valer.
    Por que preconceito contra nordestinos? Será que é porque a maioria deles é aparentemente mais pobre? Ledo engano. Eles podem até ser mais pobres financeiramente, mas são muito ricos em perseverança e talento. Sofrem bastante com o flagelo da seca e ainda têm força para sofrer mais e ainda usar como mote pra fazer um belo poema.
    E o admirável dom artístico deles? É de causar inveja ao resto do Brasil. O povo do nordeste brasileiro se destaca em todos os setores da arte nacional. Sem citar nomes, entre os maiores cantores e humoristas brasileiros estão muitos nordestinos, para não dizer quase todos. Isto sem mencionar dezenas de outros que se destacam em todas as áreas, como escritores, atores, etc. E a veia poética! Nossa! Que maravilha! Dá gosto ver ou ler os poetas repentistas do nordeste.
    Excluindo alguns políticos do nordeste que são pilantras ao extremo, sou admirador do povo daquela região do Brasil. Sou fã daquela gente e tenho muito respeito por todos eles. Confesso que chego até ter inveja deles. Portanto, não concordo com nenhum preconceito contra eles. Todos os possíveis defeitos deles são também inerentes a todos os brasileiros já que somos farinha do mesmo saco.
    Enquanto o preconceito é abominável, o texto da nossa amiga jornalista Cristiana Teixeira é admirável. Numa escala de zero a dez, coloco-o no extremo da direita.

  3. ANTÔNIO VICTOR RIBEIRO DE OLIVEIRA

    Cristiana, qualquer tipo de preconceito é um tremendo absurdo e tem que ser combatido de todas as formas. Protestos de admiração, apreço e elevada estima. antônio victor

  4. Deve ser uma mimada e preconceituosa. Sem comentários. Excelente matéria Cristiana.

  5. Muito bom Crica!
    Um texto simples, objetivo, porém sensível e que deixa bem clara a indignação de todos nós.
    Parabéns!!!

  6. Fabrícia Amaral

    Na história do Brasil sempre houve um fragmento de preconceito regional que evidenciava-se escancaradamente em momentos de disputa, especialmente política. O Nordeste nunca foi melhor ou pior que nenhuma outra região do país a não ser na cabeça das pessoas que não conseguem observar que os povos que vieram povoar esta terra foram os mesmos, em todas as regiões do país a miscigenação é evidente. Estes últimos acontecimentos apenas clarificaram o preconceito que sempre existiu para com os nordestinos injustificadamente, porém dificuldades existem em todas as partes do país, se no Nordeste falta água, no Sul identifica-se enchentes nos péríodos chuvosos constantemente,embora de fato ninguém está ileso a problemas. O que falta nestas discussões preconceituosas de regionalismo é amadurecimento político, entendimento de que separatismos não conquistam uma sociedade igualitária onde o mais importante não é em que região se vive, qual sua etnia, suas expressões, formas de falar e sim , a vida que desejamos, que desenvolvimento queremos, qual o futuro que quero para o meu país ,e em especial para as pessoas que o compõem. O preconceito não constrói ,ele dirime todas as possibilidades de evolução.Votemos!Abaixo a xenofobia alienada!Texto excelente!Fabrícia.

  7. Fabrícia Amaral

    São pessoas xenófobas desse tipo que mais sofrem. Sabe qual deveria ser a pena para esse tipo de pessoa contra os nordestinos? Jogá-las no meio do sertão para passar uma semana com a família. Garanto que ela não duraria um dia. Mas quem sabe aprenderia o quanto de nordestinos ainda sofrem, por causa de ações como essas que impedem que investimentos sejam feitos para a melhoria da região.Minha indignação com esse comentário imódico desta estudante,é deplorável a sua néscia!

  8. dona crissssss!!!!!!,te achei,hehehe,trem bão….parabenze minina pru mode seu brugue…..tô ispiano tudo que a sinhora assuntô…..muito bão mêmo……abraço,dispois vorto,vô lavá os pé.

  9. esse tár precunceito tá cum nada não mêmo….já pensô pessuá,querê ficá longe das pessoa prum mutivo quarqué.
    cumigo tem nada disso nao,só num bero mêmo é quando ocê chega perto de arguem cum disodorante vincido,aí dá não,é mema coisa de quando ieu dô uma baforada da fumaça do mô paiêro na fila do banco,hehehehe,fica ninguem pru pelto.e pruveitano esse ispaço quiria dexá um recado pra dona pelenopa do VR….dona pené sardade docê marvada,dexa lá no messêne o dia que a sinhora entrá pra mode nois botá umas fofca em dia…..dona cris,se a pené num lê a sinhora fala quela preu viu…..

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