RE – pública!

No dia em que se comemora a Proclamação da República no Brasil é preciso voltar no tempo e repensar o teor dessa expressão. Segundo o dicionário Aurélio, há diversos significados para a palavra República. Dentre eles há um que chama atenção: República – comunidade dos cidadãos. Por sua vez, a palavra comunidade reflete uma comum unidade.

Assim, voltar atrás é rememorar os audaciosos tempos em que foi proclamada a tão sonhada Independência do Brasil. Porém, antes de qualquer coisa há que se perguntar que independência é essa proclamada aos quatro cantos do país e erroneamente praticada por esses mesmos cantos? Cantos que muitas vezes choram a falta d’água, de comida, de estrutura de vida em tempos prósperos e avançados como os de agora.

Em tempos onde a ditadura militar sufocou milhares de pensamentos inovadores, em tempos onde a censura esmagava a criação brasileira à custa de míseros pensamentos doentios de ordem e de poder, a democracia ia se “fortalecendo”. Sua plenitude tentava plantar a semente da igualdade, da justiça social e até hoje, em pleno século XXI a tão sonhada democracia é tardia para muitos brasileiros.

De um império o país passou a uma (pseudo)democracia com seus “heróis”. Mas que democracia é essa? Que República é essa em que se sobressai o retardo econômico e social? Quem são os heróis de hoje, quem foram os de ontem e quem serão os de amanhã? E por falar em heróis, eles existem ou existiram? Qual critério para se definir um herói?

Em “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica” de 1936, o ensaísta, crítico, literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão Walter Benjamin, propõe um entendimento dos critérios que cada ser humano utiliza para idealizar heróis e ou ídolos. Na leitura dessa obra, é notório identificar critérios individuais para tal eleição que sobrepõem os critérios coletivos.

Assim é possível compreender os “heróis” criados outrora e atualmente. O herói de hoje precisa ser e representar bem mais que Tiradentes, por exemplo, representou. Tal conclusão é farta de reflexões que o próprio cidadão apresenta ao eleger seus heróis. Pode-se, talvez, concluir o porquê de uma RE – pública que, ao invés de andar adiante insiste em dar ré e retardar os seus participantes a uma igualdade efêmera e a uma democracia distante e ao mesmo tempo distinta da realidade.

About Só para Raros!

Comunicóloga graduada pela PUC Minas, Jornalista e blogueira.

Posted on 16 de Julho de 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 4 comentários.

  1. Muito bom o texto….fico me perguntando sobre todos esse pontos levantados no seu texto e ainda não consegui achar respostas para alguma delas. Falta mobilização….é isso q penso.

  2. O Brasil está carente de pessoas como a Cristiana, pessoas que possuem cultura para poder criticar, analisar e nos fazer repensar (ou pensar) nossas atitudes diante do País que almejamos ser.
    Parabéns Crica!
    Já virei fã do blog e serei leitora fiel!

  3. O Brasil está carente de pessoas como a Cristiana, pessoas que possuem cultura para poder criticar, analisar e nos fazer repensar (ou pensar) nossas atitudes diante do País que almejamos ser.
    Parabéns Crica!
    Já virei fã do blog e serei leitora fiel!

  4. Fiquei duplamente satisfeito lendo este ótimo texto da jornalista Cristiana. Primeiro, por causa do texto em si, muito pertinente. Segundo pelos novos vestígios da presença do Chico Bento, o qual está fazendo muita falta. Por enquanto é só. Um abraço em todos.

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