Será que a ignorância realmente é uma benção?

A maior vantagem que os políticos têm não são os altos salários, auxílio terno ou a verba de gabinete. A maior vantagem é a ignorância que paira e domina as mentes da população. Igualmente, a ignorância e o conhecimento são facas de dois gumes. O simples cidadão se deixa ser pisado quando vive à sombra da sua ignorância, mas em contrapartida não tem conhecimento da força com que é pisado. E quando culto, conhecedor dos homens e de suas diversas formas e capacidades, este mesmo cidadão se sobrepõe a ignorância e não sofre as agressões dos aproveitadores. Mas por outro lado sofre ao ver seu (des)semelhante fazer tudo em proveito próprio.

No livro “O caçador de pipas”, de Khaled Hosseini, o personagem Amir, menino de classe alta que vive no Afeganistão, se vale do privilégio do conhecimento para humilhar seu melhor “amigo”, Hassan, menino de classe baixa e empregado da casa de Amir.

Na história, Amir ludibria Hassan com contos e com vãs promessas, além de demonstrar um ciúme doentio pela maneira como seu pai trata o pobre garoto. Na história da vida real os personagens brincam de agir como seres humanos. E essa cruel brincadeira é o carro chefe do empobrecimento intelectual e financeiro dos menos cautos.

Os “nobres” políticos se portam como Amir, humilhando, ludibriando, prometendo o impossível, censurando os insatisfeitos. Os cidadãos políticos se colocam acima da verdade, acima de tudo e de todos para realizarem suas vontades, seus desejos. O ciúme, que doía no personagem de Amir é representado pelas picuinhas políticas, pela politicagem barata, pela luta diária a fim de atingir a continuidade do legado e pela (re)eleição.

Já o cidadão é representado por Hassan. O pobre personagem era embebido em sua própria ignorância e sua cegueira intelectual é trazida à realidade e confirmada pelos cidadãos no momento raro e único da execução da cidadania, da democracia: o ato de votar. Se a ignorância é uma benção, como diz o ditado, o conhecimento proporciona liberdade, poder de pensamento, consciência ao votar promovendo a mudança por meios éticos, morais e justos. Conhecer não ocupa espaço e tal fato é o que colabora para a evolução do mundo desde os primórdios.

É preciso conhecer para questionar. É preciso conhecer para exigir a mudança. À medida que o agente político começar a gerir com mais responsabilidade, com o pensamento voltado para a coletividade, os seus anseios e metas, a sede de justiça e de mudança será saciada. Será saciada com saúde, educação, esporte, lazer e cultura.

A igualdade prevalecerá e o futuro destes personagens será digno de uma história, que será contada e recontada por gerações a fio.

About Só para Raros!

Comunicóloga graduada pela PUC Minas, Jornalista e blogueira.

Posted on 16 de Agosto de 2011, in Uncategorized and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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